Tratado das pequenas coisas


Forévis Mussunzis?
Abril 29, 2009, 1:12 pm
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obamis1 

Que absurdo é esse de aceitarmos que chamem de Baixo Clero um grupo específico de políticos lá de Brasília? Que brincadeira é essa? Onde nós estamos? Por acaso eles integram alguma facção de favela? Ou é o nome de uma gangue que integra o sistema penitenciário? Não se assustem se um dia se filiarem ao Congresso legendas como o CV ou o PCC. Que babaquice é essa? Para mim, Política tinha que ser trabalho não remunerado, falo sério, o cara tinha que ser um voluntário. Enquanto político, o indivíduo teria uma moradia cedida pelo Estado, um lugar simples, pequeno, com armário, cama e TV. Teria transporte para si e talvez, talvez para sua esposa, porque ainda acredito no matrimônio; teria alimentação gratuita, feito bandejão de colégio público; teria o básico para seu vestuário de trabalho e ponto. Um serviço quase celibatário. Enquanto isso, um fiscal avaliaria as necessidades da família do eleito, e cobriria, sem intermediários, mensalidades escolares, despesas domésticas, quitação de contas.

O pessoal debocha da minha ideia de criar um reality show de candidatos a cargo público, mas depois reclamam que, tirando a TV Cultura, ninguém aproveita a ferramenta maravilhosa que a televisão para conteúdos úteis. Aí está minha proposta, e não é piada! Nesse Big Brother Brasília, os caras teriam tarefas, gincanas, coisas reais para provarem sua capacidade: hoje vão ter que reformar a escola pública do seu bairro. Valendo! Cada qual teria que correr contra o relógio para vencer a prova, pensar um plano de restaurar aquele colégio, reivindicar junto aos órgãos competentes o reajuste do salário dos professores, ir atrás de parcerias, como de uma frota que fizesse o transporte dos pirralhos, um restaurante que cedesse o almoço, uma loja que pintasse as paredes carcomidas, etc e etc. No final, o voto seria facultativo e de fato estimulante: a gente ligaria para botar um candidato no paredão e  para manter outro que melhor agiu e não só falou como num horário eleitoral gratuito. A casa onde ficariam confinados durante o programa estaria ameaçada de desabamento, num ambiente miserável, com esgoto a céu aberto, sem saneamento básico.

E depois de eliminados ou eleitos, na vida real, as câmeras seriam uma constante em suas carreiras públicas: câmeras 24 horas em todos os gabinetes, em todas as salas de reunião, em todos os cantos escuros do Planalto Central. Outra: o voto dos congressistas não seria mais secreto. Tudo escancarado, para a gente olhar a verdade nos olhos. E a Casa não teria mais partidos, mais sim opositores de plataformas, porque não quero aqui acabar com o benefício do debate. Acredito que essa é uma forma de afastar da política um tipo malandro que só a procura para seu usufruto e que faz do ofício um verdadeiro circo de trapalhadas; e também afastar um tipo mais perigoso, uma corja de criminosos e assassinos de colarinho branco. É preciso mudar o material humano que circula na vida pública do país. Eu tenho vontade de me morder quando vejo minha passividade diante dos fatos, mas torço que futuros homens de vocação, leitores de Machado de Assis e torcedores fanáticos do Brasil, um dia leiam esse texto e acreditem numa mudança radical. Onde estará, no dialeto do Mussum, o nosso Obamis, cacildis? Quem vai fazer a diferença é alguém que ainda nem nasceu?

Quantos cidadãos brasileiros se candidatariam a cargos públicos no ano que vem, se esse meu plano fosse uma realidade?

USUFRUTO 1. Acto ou efeito de usufruir ou de gozar os frutos ou rendimentos de alguma coisa que pertence a outrem.


3 Comentários até o momento
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Você é um craque e tudo mais que meu latim não consegue dizer!
te amo sempre.
esposa

Comment por sagamundo

Cara, muito bom! Idéia ousada que assino embaixo.

Rodrigo- frei caneca

Comment por sagamundo

Well… Este é meu primo, gente!

Comment por erickcavalcanti




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